Boletim Conexões em Luta 25.07.2016

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Foto: Felipe Barcellos

Bem-vindos ao Caos.

O Datafolha surgiu em 1983, dada a necessidade do Jornal Folha de São Paulo em quantificar a opinião do público sobre vários assuntos do cotidiano, mas no decorrer de sua trajetória ganhou independência e referência, como um dos principais institutos de opinião pública. No entanto, nesses últimos dias, ficou escancarado seu caráter enviesado para atender aos interesses do conluio golpista.
O destaque mais grotesco da pesquisa de um dos principais veículos de ampla circulação e defensora do impedimento foi afirmar que: apenas 3% dos brasileiros querem novas eleições e que 50% estão satisfeitos e querem que Temer continue na presidência, além de omitir parte da pesquisa para o grande público. A repercussão dessa pesquisa evidenciou a manobra política para manipular a opinião pública sobre os verdadeiros acontecimentos políticos do país. E evidência que longe de estarmos com uma democracia consolidada nossas instituições, ao contrário do que muito se afirma nos grandes meios de comunicação, está fragilizada.

Curiosamente, este mesmo jornal chegou a sair em defesa do “Fora todos”. A pergunta que fica é: o que motivou essa mudança de opinião a ponto de usar e elevar a máxima do jargão estatístico, “estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem”. E eles sempre confessam. Talvez, um fato que a pesquisa deixou passar por “despercebido” é a ascensão do presidente Lula nas intenções de votos nas próximas eleições para 2018. O que a elite política anacrônica desse país não aprendeu nesses últimos doze anos, e não ouviram os clamores que começaram em 2013, é que a população brasileira, quer o aprofundamento da seguridade social e não o desmantelamento do aparato social do Estado.

Ainda sobre o aspecto da grande farsa instaurada há dois meses no país, um dos diretores da FIESP, entidade que financiou e apoiou explicitamente o golpe é o maior devedor da União, a dívida de Laudse de Abreu Duarte é maior que a de estados como Bahia, Pernambuco e mais 16 estados da União e corresponde a um montante de 6,9 bilhões.

Notícias como essa, escancaram que grande parte da população brasileira encontrou o som da batucada na panela, mas não a noção do que realmente está em jogo nesse país, e como diz a sabedoria popular, “numa mesa de jogadores se você não sabe quem é o laranja, provavelmente você é o laranja”. Parece que Dilma, acerta quando afirmou no último dia 18, que seu impedimento é para barrar as investigações de corrupção e salva guardar muitos envolvidos com esquemas de fraude.

No palácio da alvorada, o ataque aos direitos sociais não dorme! E a reforma da previdência está na mira do governo interino, a proposta central é desvincular o ajuste da aposentadoria ao salário mínimo, para se ter ideia do ataque que está medida representa aos direitos dos aposentados é válido explicitar que aposentadoria e pensão são pagas para 30 milhões de pessoas que garante não só o seu sustento mas colabora com o complemento de renda familiar, desses 30 milhões, 70% correspondem ao valor de um salário mínimo. Ao desvincular esse ajuste, o país opta por fortalecer as desigualdades sociais e ampliar ainda mais o abismo entre ricos e pobres desse país.

E dentro da tormenta, no caos de absurdos políticos, faltam praticamente uma semana para as Olimpíadas Rio-2016, e os professores cariocas já apresentaram o clima da cidade para os turistas e atletas que desembarcam no aeroporto do Galeão, o samba da retirada dos direitos e o esbanjamento dos gastos públicos com as Olimpíadas. Um contraste que apresenta o passado como futuro, uma ponte que atravessa com a retirada dos direitos sociais e avanço para o privilégio econômico de uma pequena parcela da sociedade.

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