As visitas secretas de Temer a embaixada americana

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Em 2006 em uma visita a embaixada americana em São Paulo, Michel Temer revela que o objetivo sempre foi que o PMDB assumisse a presidência do Brasil.

As visitas secretas de Temer a embaixada americana revelam o fisiologismo do PMDB, como Michel Temer nunca quis uma aliança com o PT e como ele enxerga a política no Brasil.

Segue abaixo o relatório traduzido, que foi disponibilizado pelo WikiLeaks:

Tradução: Vicente Jabur de Souza e Silva (membro do PCdoB e do Conexões em Luta)

LÍDER DO PMDB AFIRMA POSIÇÃO DO PARTIDO COMO UM NOVO PODER, MAS HESITA EM PREVER CORRIDA PRESIDENCIAL
Data: 21 de junho de 2006. 16:05. (Quarta-feira)
De: Brasil, São Paulo.
Classificação: Não classificada, apenas para uso oficial.

1. (U). Sensível, mas não classificada – proteger adequadamente.

2. (SBU). Sumário: deputado federal Michel Temer, presidente nacional do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), acredita que a desilusão pública com o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT) fornece uma oportunidade para o PMDB lançar seu próprio candidato nas eleições presidenciais de 2006.
No entanto, as divisões do partido e a falta de uma opção atraente como um candidato poderia forçar o PMDB à uma aliança com PT de Lula ou o PSDB, partido da oposição. Se as intenções de voto para Lula não melhorarem antes das primárias do PMDB em março, Temer disse que seu partido pode nomear seu próprio candidato. Isto permitiria ainda o partido de forjar uma aliança com o PT ou PSDB em um segundo turno, assumindo que o candidato do PMDB não chegue ao segundo turno. Dada a sua orientação centrista, o PMDB pode manter o equilíbrio de votos entre as duas forças opostas. Também é provável que se mantenha uma força em nível local e estadual. Temer acredita que tem chance de ganhar as 14 corridas para governador que o partido disputa. Final do sumário.

Com aliados como estes…

3. (SBU). Michel Temer, deputado Federal de São Paulo que serviu como presidente da Câmara dos Deputados, de 1997 a 2000, reuniu-se 09 de janeiro com a controladoria geral e com as embaixadas para discutir a situação política atual. A eleição de Lula, disse ele, tinha levantado uma grande esperança entre o povo brasileiro, mas seu desempenho no cargo tem sido decepcionante. Temer criticou a visão estreita de Lula e seu foco excessivo sobre os programas de segurança social que não promovem o crescimento ou desenvolvimento econômico. O PT fez uma campanha com um programa e, uma vez no cargo, tinha feito o oposto do que foi prometido, que Temer caracteriza como fraude eleitoral. Pior, alguns dirigentes do PT tinham roubado dinheiro do Estado, não para ganho pessoal, mas para expandir o poder do partido, fomentando uma grande quantidade de desilusão popular.

PMDB percebe uma abertura

4. (SBU). Esta realidade, Temer continuou, abre uma oportunidade para o PMDB. O partido detém atualmente nove ministérios e tem o segundo maior número de deputados federais (depois do PT), juntamente com um grande número de prefeituras e conselhos das cidades e assentos legislativos estaduais. As pesquisas mostram que os eleitores estão cansados de tanto o PT e o principal partido da oposição, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Por exemplo, uma pesquisa recente mostrou ex-governador (e presidente do PMDB no estado) Orestes Quércia é líder na corrida para governador do estado de São Paulo.

Divisões minam o partido

5. (SBU). Perguntado por que o PMDB continua tão dividido, Temer disse que as razões são históricas e relacionadas com a natureza dos partidos políticos brasileiros. O PMDB cresceu a partir do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) sob a ditadura militar, que funcionava como um grupo guarda-chuva para uma oposição legítima à ditadura militar. Após a restauração da democracia, alguns membros deixaram o PMDB para formar novos partidos (como o PT e PSDB), mas muitos dos que ficaram agora atuam agentes de poder em nível local e regional. Assim, o PMDB não tem identidade nacional unificadora real, mas sim uma organização guarda-chuva para “caciques” regionais ou patrões. Temer observou que o PMDB não é o único partido dividido. Embora existam 28 partidos políticos no Brasil, a maioria deles não representam uma ideologia ou uma determinada linha de pensamento político que iria apoiar uma visão nacional.

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Primárias do PMDB marcadas para março

6. (SBU). Temer confirmou para imprensa que ele está tentando mover a primária do partido de 05 de março para uma data no final do mês. (Nota: 31 de março é o prazo máximo para executivos e ministros renunciarem seus escritórios se eles pretendem concorrer a cargos públicos. Fim da nota.) Haverá cerca de 20.000 eleitores, disse ele, incluindo todos os membros do PMDB que ocupam cargos eleitorais (deputados estaduais e federais, governadores, prefeitos, vice-governadores, vice-prefeitos e outros funcionários municipais eleitos), assim como delegados escolhidos em convenções estaduais.

Números de Lula vão mover a estratégia do PMDB

7. (SBU). Se, entre agora e as primárias, a posição do governo Lula nas pesquisas melhorem, ainda é possível que o PMDB busque uma aliança eleitoral com Lula e o PT, disse Temer. Se não, o PMDB irá lançar seu próprio candidato. Até agora, o ex-governador Anthony Garotinho do Rio de Janeiro tem vindo a teve o trabalho mais difícil, andando por todo o país em busca de apoio. Mas há uma resistência a ele de dentro do PMDB, em parte devido à sua imagem populista, em parte porque parece haver um limite para o seu apoio. Germano Rigotto, governador do Rio Grande do Sul é um possível candidato, embora ele ainda não é bem conhecido fora do sul. Nelson Jobim, um juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) que anunciou sua intenção de deixar o cargo, é outra possibilidade; no entanto, ele não pode fazer campanha até que ele deixe o Tribunal, e ele pode não ter tempo para atrair o apoio necessário para vencer a primária.

PMDB não vai ao segundo turno – PT ou PSDB

8. (SBU). Temer estava confiante de que, apesar de sua divisão atual, o PMDB se unirá para a eleição, seja em apoio do seu próprio candidato ou em aliança com outro partido. Se ele é lançar um candidato que não chegue ao segundo turno, o partido vai procurar negociar uma aliança com um dos dois finalistas. Ele observou que o PMDB tinha apoiado o governo do PSDB ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e disse que deveria haver uma “re-fusão” dos dois partidos em uma grande aliança permanente. O PMDB não teria nenhum problema com o prefeito de São Paulo, José Serra ou governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que estão competindo para a nomeação PSDB. Em 2002, o PMDB apoiou Serra contra Lula.
9. (SBU). Questionado sobre o programa do partido, Temer indicou que o PMDB favorece políticas de apoio ao crescimento económico. Ele não tem qualquer objecção à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Ele prefere ver Mercosul fortalecido, de modo a negociar com a ALCA como um bloco, mas a tendência parece estar se movendo na direção oposta.

Comentários: PMDB como um novo poder?

10. (SBU). Por enquanto, o PMDB está mantendo suas opções em aberto. Embora Temer não mencionou isso, a liderança do partido está esperando para ver se a regra da “verticalização” permanecerá em vigor para as eleições de 2006. Esta regra, decretada por decisão do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) em 2002, determina que as alianças eleitorais a nível nacional devem ser replicadas nas corridas para governadores e deputados federais. O Senado aprovou uma medida que revoga a regra, e a câmara dos deputados deverá votar nessa proposta em breve, com perspectivas incertas. Então há também esse desafio legal pendente, regra que o TSE provavelmente vai adotar em fevereiro. O PMDB quer saber as regras do jogo antes de decidir sobre possíveis alianças, pois a maioria dos observadores acreditam que um candidato presidencial do PMDB não se sairia bem sob um sistema de “verticalização.” Temer apareceu aberto à possibilidade de uma aliança ou com o PT ou o PSDB, ou lançar um candidato do PMDB independente. Dada a sua orientação centrista, o PMDB pode manter o equilíbrio de votos entre a PT de Lula e o PSDB da oposição, e, portanto, é preciso assistir de perto o que vai se desenrolar nos próximos meses. Fim do comentário.

11. (U.). Nota biográfica: Michel Miguel Elias Temer Lulia serviu como deputado federal de São Paulo desde 1987, à exceção de um período de dois anos (1993-1994), quando ele era secretário de Segurança Pública do governo do Estado de São Paulo. Ele estudou na Universidade de São Paulo e obteve um doutorado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. De 1984 a 1986 ele foi Procurador-Geral do Estado. Serviu como o líder do PMDB na Câmara de Deputados de 1995 a 1997 e como Presidente da Câmara de 1997 a 2000. Foi presidente nacional do PMDB de 2001 a 2003 e de 2004 até hoje.
12. (U.). Este relatório foi autorizado e coordenado junto a embaixada em Brasília.
McMullen

Em segunda visita a embaixada americana, Michel Temer, continua a revelar as estratégias do PMDB.

Segue abaixo o relatório traduzido, que foi disponibilizado pelo WikiLeaks:

Sensível, mas não classificada – proteger adequadamente.

1. (SBU). Sumário: Michel Temer, presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), acredita que o presidente Lula tem feito um trabalho magistral ao dissociar-se dos escândalos políticos que têm esmagado alguns de seus conselheiros mais próximos. Ele também efetivamente expandiu programas sociais para ganhar a lealdade e apoio das classes média-baixa do Brasil. Ao mesmo tempo, o adversário de Lula, ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, sofre com falta de carisma e uma falhou por não ter deixado uma marca visível em cinco anos à frente do maior estado do Brasil. No entanto, Temer hesita em prever o que vai acontecer nesta corrida presidencial, exceto para dizer que vai para um segundo turno, em que “qualquer coisa pode acontecer.” Ele confirmou que seu próprio partido não lançara um candidato a presidente e não vai se aliar com qualquer um dos partidos, tanto Lula do Partido dos Trabalhadores (PT) ou a oposição do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), pelo menos não antes do segundo turno. No entanto, o PMDB vai vencer corridas para governador em pelo menos dez e, possivelmente, até quinze estados, e voltará a ter o maior bloco, tanto no Senado e na Câmara dos Deputados, de modo que “quem quer que vença a eleição presidencial terá que vir até nós para fazer qualquer coisa “.

“O MALABARISMO DE LULA”

2. (SBU). Em uma reunião no dia 19 de junho, com o Cônsul Geral (CG) e funcionários e representantes políticos da embaixada americana, Michel Temer, deputado federal de São Paulo, ofereceu a sua avaliação do equilíbrio de forças para a eleição presidencial. Apesar de que tudo ainda pode acontecer (ele viu candidatos superarem maiores desvantagens do que Alckmin enfrenta atualmente e ganhar). É claro que o presidente Lula está em uma posição muito forte. Temer desapaixonadamente analisou como Lula tinha visto o seu chefe de gabinete e toda a liderança do seu partido desonrado, e os membros proeminentes de seu partido do congresso arrastados pelo o escândalo, ele havia saído, pessoalmente, mais ou menos intacto. Isto foi em parte porque outros partidos políticos (Temer mencionou o PSDB e o Partido da Frente Liberal (PFL), mas não o PMDB, embora o seu comentário poderia ser facilmente aplicado sobre eles) tiveram, em diferentes momentos, envolvidos em esquemas semelhantes ao do “mensalão”, esquema de corrupção infame do PT, e, portanto, não estavam com uma motivação política suficiente para expor os crimes do PT ao máximo.

3. (U). Isso acontece também porque Lula tem um forte vínculo com pessoas, da chamada classe C, D e E. Isto é, as classes média-baixa e inferior. Muitos desses estratos, na opinião de Temer, acreditam que Fernando Henrique Cardoso (FHC) tinha roubado os pobres e dado aos ricos, enquanto Lula rouba dos ricos e dá aos pobres. Lula expandiu o programa “Bolsa Família” de 6,5 milhões de famílias em 2004 para 8,7 milhões em 2005 e para 11 milhões de famílias este ano, ou seja (assumindo que cada família tenha dois filhos) cerca de 44 milhões de brasileiros. Isto, combinado com o aumento do salário mínimo, a valorização do real frente ao dólar e a queda no preço de certos alimentos básicos beneficiaram muito os pobres. Paradoxalmente, muitos dos ricos, especialmente banqueiros e outros agentes financeiros importantes, também se beneficiaram com as políticas de Lula.

4. (SBU). É a classe média que tem sofrido tanto de uma carga tributária crescente e a perda de postos de trabalho de nível profissional. Na verdade,

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Temer continuou, é difícil ser otimista sobre o futuro econômico do Brasil. O fato do Brasil ter 11 milhões de famílias elegíveis para o programa Bolsa Família implica no mínimo 44 milhões de pessoas na miséria abjeta no Brasil. Ele descreveu um evento recente que ele assistiu promovido pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), onde o ministro do Desenvolvimento, Comércio e Indústria Luiz Fernando Furlan fez um discurso otimista. Quando desafiado por um membro da audiência com algumas perguntas difíceis e estatísticas, Furlan, que se tem sido, por vezes, um crítico duro das políticas económicas do governo, teve cuidado ao responder. Brasil enfrenta sérios desafios na promoção do crescimento, de estimular a produtividade, atrair investimentos, melhorar a infraestrutura e na redução da desigualdade; no entanto, a prestidigitação de Lula tem faz com que eleitores não tenham conhecimento destes problemas crescentes.

A FALTA DE CARISMA ALCKMIN

5. (SBU). Enquanto isso, Alckmin está simplesmente “preso”. Temer acredita que desde que herdou o governo de Mario Covas, em 2001, Alckmin tem proporcionado um governo honesto, decente e competente para São Paulo. No entanto, em um país que aprecia superlativos, ele não se fez campeão de quaisquer grandes obras, e suas realizações não são visíveis. Alckmin não é pessoalmente agressivo ou carismático e não tem características de um “showman”, então ele não deixou uma marca distintiva no estado. A título de comparação, Orestes Quércia (ref C), o governador de São Paulo de 1987 a 1990, foi uma controversa (muitos dizem corrupta) figura, mas ele definitivamente deixou sua marca sobre o estado em muitas ruas, estradas, prisões e hospitais que ele construiu. (COMENTÁRIO: O mesmo pode ser dito do colorido, e igualmente corrupto, ex-prefeito e governador Paulo Maluf. FIM DO COMENTÁRIO.) O ex-presidente Cardoso foi outro exemplo de um político que tinha carisma. Mas vamos esperar e ver o que acontece, Temer sugeriu. Esperar até depois da Copa do Mundo que pode ter impacto sobre os eleitores de forma variada e diferente maneiras não facilmente previsíveis, dependendo do resultado. Aguarde até que a publicidade televisiva subsidiada pelo governo comece. Será “uma grande guerra” nas ondas do rádio, e abre inúmeras possibilidades para o menos favorecido.

6. (U). Temer, ex-secretário de segurança pública do estado de São Paulo, não estava certo se Alckmin iria sofrer com o resultado da recente violência nas ruas e nas prisões de São Paulo (ref E) perpetrados pelo grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC). E algumas das suas críticas públicas para o seu sucessor, o governador Claudio Lembo, foram desafortunadas e não foram boas para a sua imagem. Mas só o tempo dirá como esta situação se desenrola.

VIRADA PARA ESQUERDA DE LULA?

7. (SBU). O cônsul perguntou como seria um segundo mandato de Lula, assumindo a sua reeleição. Ao contrário de alguns dos nossos interlocutores, Temer acredita que Lula pode ter uma abordagem mais radical (isto é, populista) durante um segundo mandato. O incidente recente em que os radicais do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) invadiram a Câmara dos Deputados (ref D) e cometeram atos de vandalismo foi um prenúncio do que está para vir. O líder do grupo, um membro da Comissão Executiva do PT, foi visto em muitas ocasiões ao longo dos anos ao lado de Lula. O PT tinha lhe suspenso, mas não tomou nenhuma ação adicional e não parecem particularmente chateados com o episódio, Temer observou.

8. (SBU). Lula, na opinião de Temer, era um sindicalista que se deu bem pessoalmente, que, uma vez reeleito, pode finalmente começar a ouvir os seus amigos do lado da esquerda. Muito possivelmente, ele vai deixar-se conduzir

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para longe das políticas macroeconômicas ortodoxas dominaram o seu primeiro mandato. (Comentário: Outros observadores também têm apontado para a expansão do gasto social do governo brasileiro nos últimos meses, como uma indicação de que Lula está se virando para a esquerda. Até agora, no entanto, esses gastos parecem estar em linha com as medidas feitas pela maioria dos políticos brasileiros que buscam uma reeleição. Enquanto Temer vê a campanha de Lula com alguns tons de “ricos contra pobres” como um sinal de coisas que estão por vir em um segundo mandato, muitos analistas que têm seguido a carreira de Lula caracterizam ele como um “conservador cultural”, e que é improvável que ele vai sucumbir à tentação de se virar para uma esquerda populista radical. O mais preocupante, e mais provável, em um cenário de um segundo mandato de Lula seria uma falta de orientação política e vontade política para conseguir uma maioria necessária no congresso para empurrar reformas econômicas e políticas essenciais. FINAL DO COMENTÁRIO.)

PMDB – UMA CASA (AINDA) DIVIDIDA

9. (SBU). Virando-se para o futuro do seu próprio partido, Temer confirmou que o PMDB não vai lançar o seu próprio candidato para presidente, e não entrará em uma aliança formal com o PSDB ou o PT. Qualquer destas opções, a nível nacional, explicou, iria prejudicar as chances do partido em alguns dos estados, porque a regra “verticalização” permanece em vigor durante as eleições de 2006. A recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que teria apertado ainda mais as regras que regem alianças partidárias (ref B), foi provavelmente correta, Temer disse, mesmo sendo desastrosa para o PMDB. Se você estiver indo na direção de exigir aos partidos para replicar as suas alianças nacionais a nível estadual, faz todo o sentido ir um passo mais longe e dizer que os partidos que não lançam candidatos ou formalmente não apoiam candidatos presidenciais não podem aliar-se em nível estadual com partidos que o fazem. Mesmo assim, como chefe de um partido cuja a essência é a construção de coalizões em nível estadual, Temer ficou aliviado quando o TSE se inverteu dentro de 48 horas, e ele olhou para a frente para as eleições de 2010, quando a emenda constitucional que suprime a regra “verticalização” entraria completamente em vigor.

10. (SBU.). Se a eleição presidencial for para o segundo turno, como Temer afirma que com certeza que vai, o PMDB pode nesse momento “jogar” o seu apoio a um lado ou a outro. O PMDB continua dividido quase igualmente entre os grupos pró Lula e os grupos anti-Lula. Os que buscam alianças com o PT esperam por vários ministérios em uma segunda administração de Lula. Temer, que é anti-Lula, é altamente crítico da facção pró Lula e comentou com ironia sobre algumas das contradições e divisões internas do partido. Renan Calheiros, presidente do Senado, é o líder da facção pró Lula do PMDB; ainda, que em seu estado natal de Alagoas (nordeste), o PMDB vai apoiar o candidato a governador do PSDB, senador Teotonio Vilela. Outro líder pró-Lula é senador (e ex-presidente), José Sarney, mas sua filha, do PFL senadora Roseana Sarney, vai se lançar para governadora do Maranhão (também no Nordeste), com o apoio do PMDB contra um candidato do PT. Temer delineou essa situação estado por estado, terminando com São Paulo. O PSDB, observou ele, mal quer uma aliança com o PMDB, mas querem escolher o candidato do PMDB para ser vice de José Serra. Este problema será resolvido dentro de uma semana, uma vez que o PMDB realiza sua convenção estadual no dia 24 de junho. O partido não vai realizar uma convenção nacional no dia 29 de junho, como originalmente planejado, já que todas as suas questões a nível nacional foram resolvidas em um cáucus preliminar no dia 11 de junho.

11. (SBU.). Temer, que fortemente queria um candidato presidencial do PMDB (ref F), observou que, ao abandonar essa ambição, o PMDB está para vencer corridas dos governadores em dez ou talvez até quinze estados, e voltará a ter o maior bloco, tanto no Senado e na Câmara dos Deputados. Assim, qualquer que seja

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o partido que ganhe a presidência terá inevitavelmente que buscar uma aliança com o PMDB para governar. Temer falou causticamente de recompensas miseráveis do governo Lula para seus aliados no PMDB. Eles dão o trabalho de ministro a um legalista do PMDB, mas nenhum controle real sobre o Ministério; assim, ele não pode realizar qualquer coisa. Em contraste, Temer acredita que, que em troca de aderir a uma aliança governista, deve ser dado ao seu partido o controle sobre um setor da economia, como agricultura, por exemplo, ou saúde, e a responsabilidade total para operar nesse setor, e deve receber todo o crédito ou culpa por os sucessos e fracassos nesse setor. (COMENTÁRIO: Não é necessário dizer, é claro, que esse tipo de controle que Temer prevê também daria ao PMDB e outros partidos aliados, a oportunidade de avançar seus objetivos clientelistas à custa dos contribuintes. O PMDB, que é o maior partido político do Brasil, já é bem conhecido como um veículo para o clientelismo. FIM DO COMENTÁRIO.)

COMENTÁRIO

12. (SBU.). Temer foi mais caridoso em sua avaliação da campanha de Alckmin e seu desempenho como governador do que de seu próprio colega do PSDB de Alckmin, Andrea Matarazzo (ref A). No entanto, a crítica de Temer tem uma crítica certeira: Alckmin pode se realizar nos próximos meses, mas até agora ele simplesmente não se conectou em qualquer nível com o eleitorado. Já o desempenho do trabalho do Lula, por outro lado, pode ser uma questão em aberto, mas a sua capacidade de se comunicar e se relacionar com a média dos brasileiros é insuperável. Temer é correto em dizer que qualquer candidato que saia vitorioso terá que se voltar para o PMDB para ter apoio no governo. O verdadeiro problema é que o PMDB não tem estrutura ideológica ou política que poderia trazer para a tarefa de formular e implementar uma agenda política nacional coerente. Apesar da ilustre história do partido como a força motriz que levou o Brasil da ditadura militar para a democracia, o PMDB, que agora detém o equilíbrio do poder político, foi transferido para uma coalizão de oportunistas e “caciques” regionais, que em sua maior parte (e não são exceções) buscam poder político para sua própria vantagem. Um partido tal, não é adequado para a tarefa de fornecer uma orientação política, o que seria particularmente importante em uma aliança pós-eleitoral com um PT sem rumo de Lula. (FIM DO COMENTÁRIO)

13. (U.). Este relatório foi autorizado e coordenado junto a embaixada em Brasília.
McMullen

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