(Opinião) As idas e vindas do impeachment e as coincidências da vida (do Cunha)

cunha

Beatriz de Barros Souza para o Conexões em Luta.

Não vou por ora comentar fatos “recentes”, das últimas três horas, e sim coincidências muito mais “antigas”, dos últimos dois meses.

Numa quinta, 3 de março, o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha foi considerado réu da Operação Lavajato por unanimidade no STF. No dia seguinte (4), Lula foi levado coercitivamente a depôr na mesma operação, medida considerada ‘exagerada’ mesmo por membros do PSDB, partido historicamente adversário ao do ex-presidente.

No dia 23 de março, eis o nome de Eduardo Cunha na lista de corrupção da Odebrecht, na qual não aparecem os nomes de Lula e Dilma, sucessivamente grampeados nos dias anteriores. No dia seguinte (24), seu partido decide “abandonar o barco” (mas não os cargos) do governo da presidente Dilma Rousseff.

Exatos dois meses depois do início do seu processo no STF, no dia 3 de maio, o então “presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse, antes da sessão, que não colocará propostas que elevem gastos públicos até que o Senado decida se instaura ou não o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff”. Essa medida afetaria o recurso do STF pelo aumento salarial do Judiciário vetado pela presidenta.

Dois dias depois desse comunicado, o mesmo Cunha foi afastado do cargo pelos ministros do STF, em concordância com o voto do Min. Teori. Dois dias depois de seu afastamento, chega à imprensa, pelas mãos do substituto do Cunha na Câmara dos Deputados, a notícia da anulação da sessão que votou o impechment da presidente Dilma Rousseff no dia 17 de abril.

Atenção: não foi pleiteada a anulação da tramitação do rito do impeachment, como dizem alguns folhetins, e sim da sessão do dia 17, com argumentos similares aos da Advocacia Geral da União (AGU) antes daquele dia. Se anulada a sessão, pode o impeachment voltar ao mesmo estágio em que se encontrava hoje cedo, levando para isso, entretanto, mais alguns meses.

Aguardemos, por ora, as cenas dos próximos capítulos desse House of Cunha.


Leitura recomendada: Blog do Rovai (link)

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