(Opinião) O Capitalismo não será derrotado com um Discurso na ONU

por Beatriz de Barros Souza

As críticas da esquerda que aguarda ser salva outra vez alvejaram aquela que não veio em seu socorro, aquela que simplesmente representa o papel de Chefe de um Estado capitalista que lhe designou o voto popular e cujo mandato, salvo golpe em sentido contrário, será cumprido democraticamente até 2018. Mais uma vez, alvejada por ter sido “pelega demais”, “capitalista demais”, “conciliadora demais” em seu discurso.

Neste mundo, vasto mundo da internet há inúmeros vídeos da sua pessoa no Palácio do Planalto falando com todas as letras que “impeachment sem crime provado é golpe” e não acho que Dilma tenha “mudado de opinião”, ao contrário de seu Vice, em tão pouco tempo. O que a teria afinal levado a assumir esse posicionamento sutil em seu discurso na ONU hoje pela manhã?

Primeiro: toda mensagem possui um destinatário facilmente determinável. Quem eram os interlocutores de Dilma naquele saguão? A esquerda “bolivarianista sanguinária” mencionada por um deputado no seu voto favorável à admissibilidade do processo de impeachment domingo (17) não estava no local, embora o temor de que “o Brasil vire a Venezuela” esteja estampado em todos os jornais.

Dilma-no-paredão

Membros da oposição chegaram de fato a tentar impedir sua viagem, embora de direito tal “cárcere privado” não seja uma possibilidade.

Em segundo lugar, nas Relações Internacionais, assuntos domésticos ou se tratam em casa ou em ambientes voltados para tal, como as Cortes internacionais e regionais de Direitos Humanos. A Assembleia Geral da ONU não será salvadora nem da Pátria amada Brasil, nem da República Democrática do Congo (RDC) que, com todas as suas questões internas, ateve-se ao tema do debate no discurso.

O que a Presidenta Dilma fez foi per se uma quebra no protocolo. Minutos antes de sua fala, o Secretário-Geral da ONU pedira “moderação no debate” para evitar mais atrasos na programação do evento, definida, como de praxe, com meses de antecedência. Essas pessoas que ainda acham que há espaço para a revolução pelo discurso em um espaço profundamente capitalista que me perdoem a sinceridade: não estamos na Guerra Fria.

E a Revolução (como lembram os seus maiores estrategistas) não será televisionada.


Assista ao discurso completo: https://www.youtube.com/watch?v=AZLDCqxb4Sc

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s