A repetição da farsa

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Por Luiz Antonio Dias

Marx, na sua excelente obra “O 18 Brumário”, diz que: “Em alguma passagem de suas obras, Hegel comenta que todos os grandes fatos e todos os grandes personagens da história mundial são encenados, por assim dizer, duas vezes. Ele se esqueceu de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.”, em um prefácio de Marcuse este acrescenta sobre o tema: “a farsa é mais terrível do que a tragédia à qual ela segue.”
Evidentemente, não podemos imaginar que a história se repete como tal, como já ocorreu, no entanto ela ensina.
Hoje não teremos tanques na rua, isso não será necessário. A tragédia de 1964 – e mais de vinte anos de ditadura – se repete hoje como uma farsa. Mas como diz Marcuse, por vezes “a farsa é mais terrível do que a tragédia”. Parte da sociedade não consegue perceber o que nos espera, pois, como farsa, o golpe não se apresenta da forma clássica. Acreditam – alguns por ingenuidade, outros por má-fé – que a corrupção será erradicada do Brasil com o afastamento desse governo. Alguns bradam que a crise econômica – que é mundial e estrutural, mas a farsa oculta – será solucionada.
A farsa impede a visão exata e total do inimigo, que também brada “em defesa da democracia”, com isso a luta torna-se mais difícil. Golpes podem ser militares, civis, legislativos e judiciários, além de midiáticos empresariais, nem sempre todos os sujeitos são chamados ou necessários.
Não creio em um novo AI5, mas sim na ampliação da truculência policial, modelo Paulista como regra nacional. Teremos uma redução de programas sociais, flexibilização da CLT e redução de direitos trabalhistas e, pior, isso será apresentado como necessário para os trabalhadores, pois ampliará postos de trabalho.
O pior é que ainda vão dizer que a crise não foi debelada – provavelmente não será, posto que mundial e estrutural – por conta de um governo corrupto, ineficiente e populista que afundou o país (Herança Maldita). Dessa forma, teremos a redução da ação do estado, a meritocracia e o individualismo como bandeiras caras a esses grupos que, historicamente, se aproveitaram do estado para benefício próprio, mas sempre condenaram programas sociais.
O Golpe civil-militar de 1964 e a ditadura que se seguiu, já tiveram seu caráter de farsa, sempre buscaram apresentar o Golpe como uma “Revolução” e a Ditadura Militar como Civil e Democrática (posto que os militares deixam suas fardas quando “eleitos”), portanto, devemos analisar a História com muito cuidado e atenção.
“O dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer.” (Walter Benjamin)
Temos que estar “atentos e fortes”, pois se os fascistas passarem nem os nossos mortos estarão à salvo. A apologia à ditadura, à tortura e a homenagem ao Coronel Brilhante Ustra indicam esse perigo.

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