(Opinião) A indireta do “bela, recatada e do lar” para Dilma

Beatriz de Barros Souza, para o Conexões em Luta

Vocês perceberam que a matéria da VEJA, cuja repercussão bem-humorada ganhou tanta repercussão que virou até matéria internacional (link), tinha uma destinatária específica? Estou falando dela mesma: nossa presidenta de fato e de direito, Dilma Vana Rousseff.

Entre as técnicas mais antigas de se desmoralizar um inimigo, quando não se tem nada de fato contra ele, é o de atacar a sua figura, seja com alegações infundadas acerca da sua honra ou sua psiquê, como bem demonstrado pelo igualmente lamentável episódio da IstoÉ (link). Quando esse ‘inimigo’ é uma mulher, outro ingrediente de desmoralização surge é então adicionado à receita clássica: o machismo.

Para interpretar desse episódio da IstoÉ como fruto do machismo estrutural que identifica mulheres insubmissas como “loucas”, “histéricas”, etc., muita gente qualificada e filósofa entrou no meio. O machismo não estava “tão” explícito.

No tabloide mais recente da VEJA, ainda que a destinatária final não esteja tão explícita, cada mulher tomou o machismo explícito daquela manchete para si e isto revoltou tanto as da direita quanto da esquerda. Afinal, o direito da mulher branca e burguesa a trabalhar fora já foi conquistado faz um tempinho e não será tão fácil retirá-lo assim.

A parte que mais deve ter doído na nossa presidenta atual, no entanto, foi provavelmente a legenda, onde se lia, em letras pequenas, informações sobre a “quase primeira-dama” Marcela Temer. O processo de linchamento público que vai praticamente condenar Dilma a um impeachment sem que haja ocorrido antes um devido processo penal que provasse qualquer coisa em seu desfavor já foi dado por encerrado quando ainda recém-passado na primeira instância.

Toda mídia tem um lado e alguns meios de comunicação há muito deixaram de esconder o seu. Não bastasse a tentativa de golpe explícita, essa matéria ainda tentou pelos meios mais estapafúrdios, colocar ainda mais a opinião dos seus leitores contra a presidenta “feia”, “insubmissa” e “das ruas”.

Se é verdade que parte do tiro saiu pela culatra, é igualmente verdade que tentarão derrubá-la por todos os meios para ficar então cada rato com o seu quinhão.

Em tempo: já impetraram um processo para mantê-la em “cárcere doméstico”. (link)

 

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