Os 10 segundos de celebridade dos Deputados brasileiros

Fonte: Le Monde Diplomatique, 18/04/2016. Tradução: João Gomes.
Sessão histórica no que se refere ao fundo. Sessão histórica igualmente no que se refere à forma. O voto da Câmara dos Deputados, no domingo de 17 de abril, sobre o processo de destituição conduzido contra a presidente de esquerda Dilma Rousseff foi abrilhantada por fatos e gestos insólitos da parte dos eleitos brasileiros.
Para além dos clássicos gritos, trombadas e outras inventivas militantes, os quase 511 membros presentes – dois deputados estavam ausentes – na “casa do povo” aproveitaram por vezes de seus dez segundos de tempo de fala para deixar sua marca no escrutínio histórico transmitido ao vivo pela televisão e pela internet.
Em declarações que ganhavam subitamente uma postura teatral, alguns se serviram desta tribuna para tomar o tempo, os holofotes e dirigir mensagens pessoais, sem grande relação com a manobras fiscais em tese reprovadas de Dilma Rousseff.
Pela minha família e por meus filhos Sergio e Roberto, eu voto” pela destituição, assim declarou Simão Sessim, do Partido Progressista (PP), que optou pela piscadela familiar, relativamente recorrente durante a votação. Soraya Santos, do partido centrista de oposição PMDB, com punho erguido, fez o mesmo tendo um pensamento pelos seus “netos Arturo e Sofia”.

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Foto: Ueslei Marcelino /REUTERS

Além das múltiplas invocações a Deus e a Jesus houve também uma declaração se opondo à liberdade sexual e outras invocando o contrário. Palavras muito duras foram também dirigidas ao controverso presidente da Assembléia, Eduardo Cunha, considerado como o instigador do processo de destituição e que teve que engolir sem pestanejar insultos como “bandido”, “canalha”, “corrupto”.

 

Um encontrão para a abertura

A parlamentar de direita Cristiane Brasil, por seu lado, escolheu aparecer diante de milhões de espectadores vestida com uma camiseta da equipe de futebol do Brasil. Alguns outros de seus colegas haviam escolhido a bandeira nacional, ou a de seus Estados regionais.

A efervescência desse dia D para os deputados depois de dias de tensões, cálculos e acusações de traição manifestou-se desde a entrada na arena parlamentar. Um grupo de deputados de oposição que havia se reunido próximo à porta do semi-círculo foi assim confrontado por outro favorável à Dilma Rousseff, em um choque que provocou um espetáculo jocoso de trombadas, de gritos, de ameaças e de rostos com expressões agressivas.

Sob a pressão, a parede separando o semi-círculo de sua antecâmara foi desta maneira derruabada. É com esta espetacular agressão que os representantes do povo iniciaram as hostilidades de um voto histórico

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