Processo político do Brasil é “danificado por imprensa partidária” reivindicam jornalistas.

A grande mídia do país está concentrada nas mãos de poucos conglomerados nacionais que dominam o mercado, e que são propriedade de uma rica elite.

Janet Tappin Coelho Rio de Janeiro/ Domingo 10 Abril 2016/ THE INDEPENDENT

imprensa marrom

A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, pode ser vítima de um processo de impeachment. Hoje se espera o voto dos congressistas brasileiros para começar esse processo. No entanto, a cobertura da mídia sobre essa turbulência política está causando um grande alarme entre alguns jornalistas que afirmam que o processo democrático do país está sob a ameaça de uma imprensa partidária e “perniciosa”.

Independentemente do resultado da acusação – que Dilma fez uma má gestão econômica, que pode levar a deposição dela, renúncia ou a continuação como presidenta – especialistas brasileiros da mídia argumentam que a “distorção persistente e mani
pulação da cobertura noticiosa da crise política” pelo pa
ís entregou uma vantagem esmagadora em termos de opinião pública dos brasileiros para as forças aliadas contra a primeira mulher presidente do país.

Bia Barbosa, jornalista e coordenadora do Fórum Nacional para a Democratização da Comunicação (FNDC), com sede em Brasília, disse ao The Independent: “A mídia tem usado o poder das imagens e palavras para construir uma narrativa projetada para influenciar a opinião pública. O que estamos sofrendo, em uma base diária, é uma falta de paridade na imprensa e isso está ameaçando a própria democracia frágil do país”.

A propriedade da mídia de massa do Brasil está concentrada nas mãos de uns poucos conglomerados nacionais que dominam o mercado, e são propriedade de uma elite rica com alianças históricas com partidos de direita. Partidos esses que falharam quatro vezes na tentativa de derrotar o Partido dos Trabalhadores e a Dilma Rousseff nas urnas.

As investigações que já duram dois anos, conhecida como “Operação Lava-Jato” sobre as alegações de suborno, corrupção e lavagem de dinheiro na empresa de petróleo estatal brasileira, Petrobrás, implicaram diversos políticos de diversos partidos, mas o foco tem sido predominantemente em membros do Partido dos Trabalhadores como o ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva. Lula nega qualquer irregularidade e no caso da atual presidenta Dilma, ela não foi implicada em nenhum momento pelas investigações.

Até à data, tem sido muito pouco relatado pela grande mídia os 37 políticos acusados de corrupção e outros crimes graves. Políticos estes que estão sentados na comissão impeachment que conta com 65 membros que votarão sobre o futuro da presidenta. É esperado que o processo de impeachment termine no final deste mês.

De acordo com Boaventura de Sousa Santos, professor de Sociologia da Universidade de Portugal de Coimbra: “A direita brasileira sequestrou a investigação lava-jato e junto com seus cúmplices da grande mídia, transformou uma investigação judicial legítima em uma tentativa de golpe [constitucional].”

Em vez de retratar a questão nos seus vários tons de cinza com as suas áreas complicadas e eticamente ambíguas, o FNDC afirma que os meios de comunicação têm suavizado os argumentos e transformado eles em uma narrativa simplista, polarizando a população em “mocinho contra bandido” e “a favor ou contra o governo “.

“Há milhares de pessoas que não se enquadram em nenhuma dessas polarizações”, disse a Sra. Barbosa. “Eles são os únicos que enxergam o quadro geral e estão lutando para defender a democracia e a eleição legítima de um governo eleito por 54 milhões de pessoas.”

Desde a detenção, com uma cobertura alarmante, do ex-Presidente Lula da Silva pouco mais de um mês atrás (cobertura que foi vazada para a imprensa transformando o incidente em um circo midiático) o FNDC começou a analisar a cobertura do escândalo político pelas grandes mídias. Eles notaram que a Rede Globo, a maior empresa de mídia no Brasil com redes de televisão pública, estações de rádio, jornais, sites de notícias e televisão a cabo, o jornal Folha de São Paulo e a revista Veja têm estado sob escrutínio especial.

“Nosso monitoramento revela que precisamos urgentemente de uma maior pluralidade de vozes na sociedade para que as pessoas possam obter uma diversidade de informações e construir suas próprias opiniões. Este é nosso direito “, disse a Sra. Barbosa.

Alex Solnik, jornalista que exerce essa função a mais três décadas no Brasil, recentemente cancelou seu contrato de 30 anos com Folha de São Paulo. Ele disse que antes o jornal era imparcial e equilibrado, mas que agora “está excessivamente politizando as notícias” para congelar o debate.

A simplificação dessas questões profundas e a imparcialidade da mídia gerou grandes manifestações que contaram com milhares de brasileiros que foram às ruas ao longo das últimas semanas. Manifestantes levaram bandeiras contendo slogans como: “Não vai ter golpe” e “Globo golpista”. Acusando a Rede Globo de conspirar para derrubar o governo. Os protestos incluíram demonstrações que foram até às sedes da Rede Globo em todo o país com ataques a seus jornalistas, vandalismo e queima de veículos da rede.

Protestantes anti-Globo vieram à tona online e estão causando alarme entre os principais anunciantes da Globo que temem o crescimento do movimento contra a Rede com receio que esses movimentos possam impactar a compra e o consumo de suas marcas.

Um executivo de publicidade recentemente disse que a Globo é profissional, mas “seu jornalismo está instigando um movimento [de boicote] em redes sociais e isso não pode continuar a crescer”.

Em um comunicado, Globo disse: “[Nós] só cumprimos a [nossa] missão de informar as pessoas … [estamos] apoiados pela constituição e continuaremos a fazê-lo, com calma, e com nada a temer”.

Traduzido por: Vicente Jabur de Souza e Silva (Membro do Partido Comunista do Brasil – PCdoB)

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