Os EUA e sua guerra midiática contra os líderes da América Latina (Parte I)

Em dezembro do ano passado o jornalista venezuelano José Vicente Rangel, falou em seu programa de televisão como o Pentágono criou um Centro de Assistência Internacional para a Mídia (em inglês Center for International Media Assistance – CIMA) que está espalhando desinformação sobre a Venezuela. Centros especializados, tais como CIMA também vão atrás de outros governos que Washington enxergam como “intragáveis”.

Também assistimos recentemente o presidente do Equador, Rafael Correa, falar em um de seus discursos semanais sobre o como seu governo está sendo atacado via redes sociais. Que são agora a principal plataforma para a guerra midiática.

Porém, uma lei referente a grande mídia tem sido aplicada no Equador desde junho de 2013, que tem um grande potencial de limitar qualquer campanha com potencial hostil, incluindo até “divulgações” que tem como objetivo gerar instabilidade no país. É a secretaria de informação e comunicação, que monitora e da assistência ao trabalho da mídia, que é responsável pela aplicação dessa lei.

O código Penal do Equador inclui agora um capítulo intitulado “Crimes associados com transgressões da mídia de massa”, que decreta que os editores e editoras são responsáveis pela publicação de materiais difamatórios ou ofensivos. O Equador é provavelmente o único país da América Latina que conseguiu definir alguma orientação sensata para o trabalho da mídia.

Atualmente o hemisfério ocidental está sendo inundado por uma maré de “divulgações” onde figuram nomes de políticos que estão sendo atacados por Washington.

aguila-terror

Aparentemente a CIA e a NSA estão seguindo um plano abrangente destinado a obter muitas figuras influentes depostas e processadas.

Materiais comprometedores sobre Nicolás Maduro, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Evo Morales estão sendo expostos por agências de inteligência norte-americanos em “uma tacada só”. Tais materiais são usados por grupos pró Estados Unidos que tem como objetivo desestabilizar países como a Venezuela, Brasil, Argentina e Bolívia. Esse tipo de “divulgação” é focado principalmente em líderes que rejeitaram a doutrina neoliberal, e que buscaram reformas sociais que beneficiaram diversos extratos da população.

No Brasil, um escândalo se desenrola sobre a questão complicada de lavagem de dinheiro envolvendo a principal estatal do país, Petrobrás, e corrupção, bem como a utilização de receitas não declaradas para financiar as campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores. O ex-presidente Lula da Silva (2003-2010) foi detido por várias horas e interrogado por um investigador, uma vez que é acusado de aceitar subornos da empresa Petrobrás.

Especificamente, Lula foi intimado a explicar com que dinheiro ele comprou um apartamento que de acordo com os investigadores pertencia a ele em segredo. Além dele outros sessenta políticos brasileiros, governadores, e empresários estão envolvidos de forma direta ou indireta com o caso. Essa investigação lança uma sombra sobre Dilma Rousseff, atual presidente do país. Uma vez que mídia de oposição no Brasil, sob o controle da empresa Rede Globo, afirma que Rousseff presidiu o conselho de administração da Petrobrás no momento em que esses esquemas de corrupção começaram a florescer.

Segundo os investigadores, os contratos assinados pelos principais diretores da estatal eram feitos tendo em conta que uma percentagem do valor desses contratos fosse repassada a eles em forma de propina. No centro dessa “cruzada” contra Dilma está Aécio Neves, senador brasileiro e recente rival de Dilma nas eleições presidenciais de 2014. É importante mencionar que ele também é um visitante regular da embaixada americana. E que seu acordo para colaborar com os americanos ainda está em vigor, portanto, muito dos dossiês e materiais produzidos pela NSA sobre Lula e Dilma foram colocados à disposição de Neves, seu círculo de apoiadores, tribunais brasileiros e agências governamentais. Além disso, veículos de informação pertencentes a rede Globo, forneceram uma extensa cobertura destes materiais. Como resultado, índices de aprovação da presidenta Dilma caíram e sua coalizão de nove partidos, com a força do povo, se desintegrou. Isto foi em grande parte devido ao fato de que alguns dos membros do Partido dos Trabalhadores eram de fato vulneráveis as acusações.

Isso acarretou uma série de problemas sérios para o Brasil. O ex-ministro da Fazenda do Brasil, Luiz Carlos Bresser-Pereira, afirmou, “Inesperadamente, surgiu um ódio coletivo por parte dos estratos superiores da sociedade – os ricos – contra o partido e a presidenta. Não foi ansiedade ou medo, mas ódio. Ódio, porque, pela primeira vez, temos um governo de centro-esquerda que se manteve de esquerda. Apesar de todos os compromissos, não mudou. Esse ódio acontece, porque o governo tem demonstrado uma forte preferência para os trabalhadores e os pobres”.

Além disso, informações sensíveis sobre parentes próximos são geradas se nenhuma justificação para atacar um político que agentes norte-americanos decidiram vitimizar. É isso que os promotores da DEA, CIA, e dos Estados Unidos estão fazendo com os sobrinhos de Cilia Flores, a esposa do presidente Maduro. Esses jovens foram presos pela polícia no Haiti e entregues para os EUA sob a acusação de conspiração de importar cocaína para os Estados Unidos. Vai levar tempo para provar que eles foram enquadrados por agentes da DEA que forjaram os incidentes para prender os seus alvos em negócios ilegais, com isso a campanha de propaganda contra a família do presidente Maduro já está em pleno andamento. De acordo com Cilia Flores, os advogados dos acusados vão provar que neste incidente, os agentes da DEA na Venezuela têm cometido crimes.

A continuar…

Texto de Nil Nikandrov | 04.04.2016
Tradução de Vicente Jabur de Souza e Silva (membro do Partido Comunista do Brasil – PCdoB) – 07/04/2016
Link original da matéria: http://www.strategic-culture.org/news/2016/04/04/the-us-media-war-against-leaders-latin-america-i.html
Glossário de Siglas:
NSA – Agência de Segurança Nacional (em inglês: National Security Agency – NSA) é a agência de segurança dos Estados Unidos, criada em 4 de novembro de 1952 com funções relacionadas a Inteligência de sinais (SIGINT), incluindo interceptação e criptoanálise. Também é um dos órgãos estadunidense dedicados a proteger as comunicações americanas. A NSA é parte do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
DEA – A Drug Enforcement Administration (DEA; em tradução livre, Órgão para o Controle/Combate das Drogas) é um órgão de polícia federal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos encarregado da repressão e controle de narcóticos.
CIA – A Central Intelligence Agency (lit. “Agência Central de Inteligência”, em inglês), mais conhecida pela sigla CIA, é uma agência de inteligência civil do governo dos Estados Unidos responsável por investigar e fornecer informações de segurança nacional para os senadores daquele país. A CIA também se engaja em atividades secretas, a pedido do presidente dos Estados Unidos.

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