Quem são os personagens do golpe?

  
Quem são os personagens do golpe? Para tentar entender quem está atrás por trás do golpe (e o que eles realmente pretendem), estou escrevendo pequenos artigos, de forma bem didática, sobre os conspiradores. Os três primeiros tratam da FIESP, da mídia e da OAB. Eis o primeiro deles, sobre a FIESP:A FIESP e o golpe:

Os industriais paulistas participaram da conspiração que levou à derrubada do presidente Goulart em 1964. Seus dirigentes apoiaram as famigeradas Marchas da Família, que reuniram as frações mais conservadoras da classe média paulistana e dos empresários industriais. Sob o pretexto de acabar com a corrupção, a FIESP buscava ocultar os seus verdadeiros objetivos: combater os direitos sociais e a legislação trabalhista, visando recompor as altas taxas de lucros mediante o aumento da exploração sobre a classe trabalhadora. O objetivo foi alcançado nos anos da ditadura. Além disso, os governos ditatoriais adotaram outras medidas que agradaram aos empresários da FIESP: o fim do direito de greve, o controle e intervenção sobre os sindicatos de trabalhadores e a repressão aos movimentos reivindicatórios. A FIESP chegou a subornar o general Amaury Kruel, comandante do 2º Exército em São Paulo, com US$ 1,2 milhão, para que este rompesse o compromisso com a legalidade e apoiasse a derrubada do presidente por meio da violência. A FIESP, passados 52 anos, nunca se desculpou pelo envolvimento no golpe e na ditadura militar, assim como negou ter participado mesmo depois que surgiram provas e documentos a respeito desses episódios. Hoje, com a mesma hipocrisia de antes, o presidente da FIESP nega que o impeachment seja um golpe contra a democracia. Mas trata-se, como antes, de um golpe contra a democracia (os direitos políticos) e também contra os direitos sociais. Os documentos mais recentes da FIESP trazem uma série de propostas que visam eliminar os direitos que a classe trabalhadora conquistou ao longo da sua história de lutas: o décimo-terceiro salário, a regulamentação da jornada, o salário mínimo e o aviso prévio, entre outros. Além disso, a FIESP apoia a terceirização geral, que na prática significa a total revogação da CLT e o restabelecimento de um capitalismo sem regras nas relações entre patrões e empregados (um dos diretores da FIESP, numa entrevista recente, chegou a defender o fim do horário de almoço, porque o empregado pode “segurar o sanduíche com uma mão e operar uma máquina com a outra”!). Por isso, a classe trabalhadora está dizendo #NãoVaiTerGolpe

*Pedro Fassoni Arruda. Cientista Político e professor da PUC/SP. 


 

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