A FIESP e os “Golpes”

Apesar de várias possibilidades interpretativas para o Golpe Civil Militar de 1964, suas razões e a importância de cada setor, é inegável que a queda do presidente João Goulart representou um duro golpe para os trabalhadores e, de fato, teve um caráter de choque de classes, possibilitando a união – antes e depois de 1964 – de industriais, banqueiros, latifundiários, meios de comunicação e militares, para reverter os avanços sociais alcançados pelas classes populares.

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A FIESP, assim como a FECOMÉRCIO/SP bem como outras associações empresariais, apoiaram o golpe e a implantação do regime ditatorial, inclusive financiando a repressão e colheram os frutos no pós-1964. Já em julho de 1964, o direito de greve foi regulado pela Lei 4.330, que dificultava sobremaneira a possibilidade de greves, proibindo funcionários públicos e trabalhadores de serviços essenciais de qualquer manifestação grevista. O número de greves, que vinha crescendo até 1963, caiu de forma abrupta após abril de 1964. No campo, a organização em torno das Ligas Camponesas ou dos Sindicatos Rurais, também sofreu duro golpe com a intervenção militar. Várias lideranças sindicais foram perseguidas, vários sindicatos passaram por intervenções – só no ano de 1964, 409 sindicatos e 43 federações sofreram intervenção do Ministério do Trabalho – o Estado passou a controlar reajustes salariais promovendo o “arrocho salarial” do salário mínimo.

Em 2016, a atuação da FIESP, pode até apresentar características diferentes, no entanto os seus interesses são os mesmos: conter os avanços sociais e trabalhistas, criar mecanismos para flexibilização da CLT, criminalizar movimentos sociais, enfim, efetivar um novo golpe contra os trabalhadores.

Luiz Antonio Dias – Doutor em História Social

Professor do depto. de História da Pontifícia Universidade Católica (PUCSP)

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